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Marcão, Campeão! |
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No dia 24 de outubro de 2009, foi realizada a 8ª etapa do Campeonato Mineiro de Texas Hold’em. Os salões do Hotel Mercure mais uma vez receberam o evento, que teve buy-in de $200+40 e contou com quase 130 participantes. Dentre eles, personalidades como Renato Lins, da CardPlayer Brasil, e o folclórico Marco Túlio “Perna”, com seus divertidos "causos" de poker.
Por volta das 14h30, o diretor Ricardo Sisolo anunciou o início do torneio. Entretanto, algumas horas antes, ele dava andamento a outra interessante iniciativa: o MinasPoker. Criada com o escopo de expandir o Texas Hold’em para o interior do estado, a reunião contou com a participação de organizadores de eventos ligados ao poker e abordou temas como a padronização dos torneios de acordo com o estatuto da ADTP (Associação dos Diretores de Torneios de Poker), bem como detalhes técnicos e jurídicos que dizem respeito à modalidade. Com quase 30 participantes, esse encontro do MinasPoker foi um primeiro – e importante – passo no sentido de criar uma estrutura uniforme para o poker mineiro, a qual todos torcemos para que tenha êxito.
De volta à ação, com os três primeiros níveis de blinds subindo a cada 30 minutos e os demais com 20 minutos cada, as eliminações se sucediam com relativa rapidez. E não demorou mais do que meia hora para que os primeiros aplausos de eliminação fossem ouvidos. E como toda moeda tem dois lados, começavam também a despontar os favoritos para a vitória na etapa. Hugo Mora, Campeão Mineiro em 2006 e tradutor dos Volumes I e II da aclamada série de livros “Harrington no Hold’em”, disponíveis em português pela Raise Editora (raiseeditora.com), foi um dos que construíram um stack capaz de fazer grandes estragos. Com sua tradicional agressividade, Hugo mostrou um estilo de jogo apurado e técnico, às vezes entrando em potes pequenos, às vezes participando de all-ins múltiplos, mas sempre apresentando um conhecimento profundo do jogo. Assim, com apostas precisas e excelente leitura dos oponentes, ele trilhou seu caminho até a mesa final.
Depois de decorridas cerca de sete horas de disputa, a final table foi formada pelos seguintes jogadores: Hugo Mora, Fábio Passos, Saulo Machado, Márcio Dornas, Bruno Guimarães, Alexandre Valinhas, Vágner Roberto, Marco Antônio Resende, Saulo Moura e Thalles Bittencourt.
Thalles, aliás, foi protagonista de uma das mãos mais importantes e decisivas da mesa final. Com blinds em 5K/10K e ante de 1K, Márcio “Codorna” abre de 58K de posição inicial. Duas posições à esquerda, Alexandre Valinhas vai all-in com 51K. Thalles, em posição final, coloca suas fichas no feltro enquanto pensa: de acordo com a regra oficial anunciada antes do início da final table, uma vez colocadas as fichas na área de apostas, essa ação é considerada call. No flop bate A♦5♦2♦. Márcio vai all-in e recebe call de Thalles, que, devido à ação supostamente equivocada, já estava comprometido com o pote. No showdown, Márcio mostra A6 off, Alexandre vira AJ off, e Thalles, JJ. No turn vem um 8♣ e, no river, um 4♦. O dono do par de valetes, já conformado com a curiosa eliminação, sequer percebe que uma de suas cartas era de ouros, e que, em vez de dar adeus ao torneio, ele tinha na verdade se tornado chip leader, sendo efusivamente abraçado por um amigo que se autodenominava sua “torcida organizada”.
Algumas mãos depois, Bruno Guimarães dá raise do UTG+1, e Hugo Mora, que não vinha recebendo cartas que o permitissem se movimentar muito, volta all-in com KT off. Para sua infelicidade, a agressividade que o levara à mesa final acabou selando seu destino: Bruno tinha nada menos do que AA e, claro, deu insta-call. O bordo ainda trouxe um rei e quedas para flush e sequência em favor de Hugo, mas foi o fim de jogo para ele, que conquistou a 5ª colocação e entrou de vez na briga pelo título de Campeão Mineiro 2009.
Quando restavam apenas três jogadores, um acordo foi selado entre os finalistas Bruno Guimarães, que acabou ficando em terceiro, e Thalles Bittencourt e Marco Antônio Resende, que disputaram o heads-up decisivo. Menos de dez mãos depois, Marcão, com uma incontida alegria, sagrava-se campeão da oitava etapa do Campeonato Mineiro de Texas Hold’em.
O detalhe curioso é que Marcão, figura carimbada no circuito mineiro, pouco antes de começar a mesa final, me disse com certo ar melancólico que já tinha batido na trave várias vezes, mas nunca tinha conseguindo levar um troféu. Ao final, ele vibrou como eu jamais tinha visto nenhum jogador vibrar.
Parabéns, Marcão, o troféu é seu! E a comunidade do poker mineiro agradece por sua genuína demonstração de alegria diante dessa inesquecível vitória!
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